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terça-feira, 24 de março de 2009

EGOÍSMO E PECADO


albanosousanogueira@sapo.pt
http://deixadeusentrar.blogspot.com/

O egoísmo (ego) é a origem de todos os males da sociedade. Origem de todos os pecados. Egoísmo é outro nome de soberba, orgulho (mau, porque existe um orgulho bom), vaidade (exagerada, porque um pouco de vaidade e amor próprio é necessário).
Egoísmo é uma pessoa estar centrada em si. Fazer de si mesmo o centro do mundo e querer que os outros girem à sua volta.
Egoísmo é a pessoa pensar que está sempre certa, pensar que tem sempre razão, que nunca deve ceder e que os outros é que devem ceder.
O egoísta não faz o que Deus quer, mas o que ele quer.
O egoísta não ouve os outros, mas só se ouve a si mesmo.
O egoísta só pensa em si e não se preocupa com os outros: ou é indiferente, ou é contra os outros.
O egoísta não partilha, não ajuda, não se preocupa com os outros.
O egoísta quer o que é seu e até o que é dos outros.
O Egoísta só olha para os seus direitos e esquece os seus deveres.
Porque só pensa em si, o egoísta busca o seu prazer, o que lhe agrada, o que lhe convém, sem ter em conta as necessidades e interesses dos outros.
O contrário do egoísmo, é o altruísmo (alter= outro), o fazer bem aos outros.
O egoísta peca porque não faz a vontade de Deus, mas apenas a sua; não é solidário com os outros, não ama os outros e, por isso, peca por falta de amor aos outros.
Uma pessoa egoísta desagrada a todos (e se calhar até desagrada a si mesmo).
Um egoísta desagrada a Deus porque Deus é comunhão e o egoísta é solidão;
O egoísta desagrada aos outros porque só pensa em si mesmo, nos seus direitos e não cumpre os seus deveres, não se pode contar com ele para nada.
Um egoísta é uma pessoa que, mais tarde ou mais cedo, até desagrada a si mesmo e é um infeliz porque fica sozinho, isolado.
Quaresma é tempo de sermos solidários com os outros, de fazermos bem aos outros, de escutarmos a voz de Deus e seguirmos os seus ensinamentos e os seus caminhos.
Quaresma é tempo de cada um se corrigir a si mesmo, ponde de parte esse egoísmo, esvaziar-se um pouco de si mesmo e preocupar-se mais com os outros.
A felicidade consiste mais em fazer feliz os outros, fazer bem aos outros do que procurar apenas a sua própria felicidade. Quem se preocupa em ser feliz sozinho, não o será. Poderá ter algum prazer na vida, mas não terá a felicidade profunda que é bem diferente de ter prazer.

P. Albano Nogueira

sexta-feira, 13 de março de 2009

SEGUIR A CRISTO É OLHAR PARA A CRUZ

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O cristianismo, seguimento de Jesus Cristo não é fácil, nunca o foi e nunca será.
Jesus Cristo é exigente, apresenta e propõe um caminho de renúncia, de esvaziamento de si mesmo, um caminho a subir, um caminho de morte, para daí vir a Vida, a Vitória e a ressurreição.
Jesus já nos deu o exemplo de simplicidade, humildade, mansidão, bondade, amor, perdão, obediência, pobreza, despojamento, paciência, desprendimento, abandono e confiança em Deus.
Claro que estas virtudes não são inclinações naturais em nós. Nós tendemos e temos inclinação para o contrário. Por isso é que Jesus é tão diferente de nós. É que Ele não é só humano, Ele também é divino.
Cada pessoa eleva-se ao nível do divino se praticar estas virtudes de forma habitual. Ora como nós somos tão humanos e, tantas vezes, desumanos, torna-se muito difícil aceitar o caminho da cruz que é um caminho da sabedoria de Deus e não da sabedoria humana.
Quem quiser seguir a sério Jesus Cristo, tem de colocar os olhos na cruz. Não como sinal de derrota, mas como momento de passagem para a vida e a vitória.
Quando digo cruz, não digo tanto a morte, muito menos a morte biológica.
É que, segundo a Bíblia, vida e morte não se podem reduzir a vida e morte biológica. Vida é mais do que vida biológica e morte não é apenas morte biológica.
Vida plena, vida abundante, vida do corpo, da mente, do coração, vida espiritual, vida de relacionamentos saudáveis e felizes com Deus, com os outros, connosco mesmos. Há muita vida que é uma vida menor, mesquinha, egoísta, banal, medíocre, sem plenitude, sem felicidade porque falta isto que acabei de dizer.
Cruz é morte, mas não apenas a morte biológica. Morte ao egoísmo, ao individualismo, morte ao pecado e aos pecados (vícios e depêndências), morte à indiferença, morte a tudo o que me separa de Deus, dos outros e de mim mesmo. Morte a tudo o que destrói a natureza. Morte a tudo o que diminui ou destrói a minha dignidade humana e cristã.
Seguir Jesus Cristo é estar disposto a morrer para tudo isto.
Jesus Cristo não pregou uma doutrina para agradar ao povo, não foi populista, como fazem tantos políticos, como fazem certas seitas que só dizem o que as pessoas gostam de ouvir. Jesus era claro: “quem quiser seguir-me, renuncie a si mesmo (esvazie-se de si mesmo, do seu egoísmo, de seu individualismo, da sua soberba, do seu orgulho), tome a sua cruz (as suas exigências, cumpra os seus deveres, os seus compromissos humanos, sociais, políticos, cristãos) e siga-me”.
“Quem quiser guardar a sua vida por minha causa, perde-a, quem perder a sua vida por minha causa e por causa do evangelho, perde-a”.
Cruz é luz, é vida, é AMOR.
Hoje todo o mundo quer uma vida sem cruz, sem exigências, sem coerência, sem responsabilidade. Hoje, muitas pessoas querem liberdade sem responsabilidade. Muitos querem um Cristo sem cruz, um cristianismo fácil, ao seu jeito, moldável aos seus interesses e conveniências… Hoje as pessoas querem um Cristo e um evangelho doce, adocicado, um Cristo cómodo, que não incomoda, controlado, dominado, light, medíocre, sem exigências, sem compromisso, sem consequências na vida prática.
Muitos pensam assim: “Eu acredito em Deus, mas vivo e faço tudo o que quero (inclusive contra a lei de Deus e os ensinamentos do evangelho e de Jesus Cristo) e Deus não tem nada a ver com a minha vida… Até faço e digo coisas contra os ensinamentos de Jesus Cristo e do Evangelho, mas digo que acredito em Deus e em Jesus Cristo…”.
Eu pergunto para que serve alguém dizer que acredita em Deus, em Jesus Cristo e nada ligar para o que Eles ensinam e viver, tantas vezes, ao contrário e contra o que Eles dizem na Bíblia?

P. Albano Nogueira

quarta-feira, 4 de março de 2009

A FÉ QUE SALVA

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Neste tempo da quaresma, é preciso insistir que existe a fé que salva e a fé que não salva.
Existe em muitas pessoas a consciência de que basta acreditar em Deus, basta rezar, basta realizar algumas práticas religiosas e a salvação torna-se automática. Neste caso trata-se de entender a religião como uma ligação particular entre mim e Deus para “salvar a minha alminha”, vivendo a religião de forma individualista e isolada, sem querer saber dos outros. A fé é pessoal, individual, mas tem de ser vivida em comunidade. A fé é espiritual e invisível, mas tem de se manifestar na prática religiosa comunitária que é visível.
A forma de entender a fé como algo apenas entre Deus e mim, é uma ideia que não está de acordo com a mensagem total da Bíblia. Esta fé não salva.
Lendo a Bíblia na sua totalidade, e não nos fixando apenas numa ou noutra passagem (como fazem algumas seitas), perceberemos facilmente que a mensagem global da Bíblia é de que a fé que salva implica obras, obras de caridade, obras concretas de amor ao próximo. Por outras palavras, não se pode separar o amor a Deus do amor ao próximo.
Muita gente transformou o cristianismo numa simples religião: palavras, rituais, cerimónias, devoções, sem impacto e consequências nas suas vidas. Ora, o cristianismo é muito mais do que religião. Cristianismo é vida e implica conversão, arrependimento, mudança de vida, transformação de uma vida individualista e egoísta numa vida altruísta e comunitária onde cada um se compromete com o bem comum e faz o bem aos que estão à sua volta, praticando as obras de misericórdia.
Estamos no tempo litúrgico da Quaresma, onde algumas pessoas de preocupem por cumprir as tradições de não comer carne, de rezar mais, de mais piedade e devoção, mas não podemos esquecer o essencial: a caridade, a partilha, a generosidade.
A conversão passa por receber o sacramento da reconciliação (confissão), mas isso tem de ter consequências práticas: mudança de vida. Deixar o mal e ficar com o bem.
Além do arrependimento, da confissão, mudança de vida, outra das práticas penitenciais da Quaresma é a partilha, o contributo ou renúncia quaresmal pelo qual nós repartimos o nosso dinheiro com a diocese, com os mais os mais pobres.
A fé em Deus tem de levar à caridade. Esta é a fé que salva: a fé em Deus manifestada em obras de caridade, de amor desinteressado aos outros. S. Tiago na sua epístola diz-nos que “a fé sem obras está morta” … Jesus disse: “tive fome e não me deste de comer…”. Esta fé não salva.
Meu irmão, não te contentes com uma fé que não salva. Procura viver e ter uma fé que salva, a fé acompanhada de caridade, de obras em favor dos outros.

P. Albano Nogueira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

COMPREENDER A QUARESMA HOJE


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A sociedade de hoje e muitos cristãos católicos não conseguem ver por dentro as orientações da Igreja Católica e só conseguem ver por fora certos ensinamentos e práticas religiosas porque vivemos numa sociedade muito superficial e banal.
É uma visão e um entendimento muito pobre de quem não consegue passar do exterior, do visível, para o interior das coisas e das pessoas.
“É por dentro que as coisas e as pessoas são o que são”.
Esta introdução vem a propósito do tempo litúrgico da quaresma que se inicia nesta quarta feira de cinzas: “lembra-te Homem que és pó e em pó te hás-de tornar…”
Na quaresma, são 3 as realidades que os católicos são convidados e ter em conta para crescerem nas virtudes da fé, esperança e caridade.
1. Oração- Quaresma é tempo de rezar mais e rezar melhor: Eucaristia, terço, via-sacra, leitura da Bíblia, oração individual, oração familiar, oração comunitária. A oração leva a crescer na virtude da FÉ, da confiança, no amor de Deus. O importante é crescer na virtude da FÉ, entendida como um relacionamento amoroso de um(a) filho(a) com Deus Pai; com Jesus Cristo, Deus Filho e com Deus Espírito Santo.
2. Esmola – Partilha, renúncia quaresmal (ou bulas, ou contributo penitencial), oferta para a sustentação do pároco. A virtude da caridade, da generosidade: amor aos outros. Trata-se de partilhar com os mais pobres e contribuir para a sustentação do clero: uma tradição em todo o mundo e em todas as religiões.

3- Jejum, abstinência, e penitência – Símbolos da esperança de quem quer ser melhor, mais perfeito, mais sábio, mais livre e menos dependente do pecado, do egoísmo, das coisas materiais: comer, beber. Virtude da moderação, da temperança, que leva à esperança da salvação.
Há limites para o ser humano porque ele é limitado.
Reconhecendo o seu pecado, o seu egoísmo, os seus excessos, o crente católico vai-se confessar, reconciliar-se, pedir perdão a Deus no sacramento da confissão, fazer um propósito firme de emenda, compensar aqueles que prejudicou= satisfação.
As cinzas são um símbolo visível que apontam para outra realidade mais profunda: o Homem é caduco, passageiro, mortal. Não é Deus, não é imortal, não poder de dizer tudo, não pode fazer tudo, não pode experimentar tudo. Há coisas que pode fazer, mas não deve... Há limites porque o ser humano é limitado.
As cinzas são um símbolo que apontam para Alguém que é Imortal, Infinito, Eterno – Deus.
Quarta-feira de cinzas. Dia de jejum e abstinência. Jejum consiste em tomar uma refeição principal e na outra tomar algo de muito ligeiro. A abstinência na tradição da Igreja consiste em não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma. O jejum e a abstinência apontam o domínio de si mesmo, domínio dos apetites, domínio de excessos e vícios…
A saúde começa na boca.
Uma pessoa, nas sextas-feiras da quaresma, pode, por exemplo, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, reduzir o tempo dado à TV, não tomar café, diminuir uso e dependência do telemóvel, ler bons livros, ler a Bíblia, rezar mais, visitar doentes, idosos, fazer voluntariado, etc.
Outras pessoas podem abster-se do palavrão, da crítica, da murmuração, da mentira, das injustiças, de outros pecados.
Não se trata apenas de não comer carne, mas de dominar o mal que há em nós…
O que se trata é de DOMINAR-SE, não ser escravo da boca, da barriga, das coisas que usamos no dia-a-dia. A razão de ser destas práticas penitenciais da quaresma pretendem levar a pessoa a dominar-se, a controlar-se, a não ser escravo da boca, nem da barriga, das coisas, mas ser senhor das coisas…
Cortar o mal, como se podam as videiras e deixar ficar apenas o bem em nós.
Estas práticas pretendem ajudar os católicos a fazerem um esforço de se dominarem, de se aperfeiçoarem, de serem mais livres, de serem mais perfeitos, mais santos.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

QUEM NOS DARÁ A FELICIDADE?

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Quem nos dá felicidade?
As coisas materiais?
As pessoas?
A cultura?
Deus?

Todas as pessoas desejam ser felizes. Todos nós trazemos este anseio no mais profundo do nosso coração. Fomos criados por um Deus feliz, um Deus de amor, de alegria e de paz!
O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há-de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar.
O mais doloroso é ver que nessa busca frenética, desordenada e por vezes irresponsável pela felicidade, acabamos invertendo o valor das diferentes realidades da nossa vida.
Umas vezes, damos valor demais às coisas, outras vezes, damos valor demais às coisas; outras vezes damos demasiado valor à cultura, ao intelecto e esquecemos algo de muito essencial: a fé e a confiança em Deus.
Precisamos dos bens materiais, precisamos das pessoas, precisamos de cultura, mas precisamos também de um projecto de vida, um ideal que não pode estar só centrado em nós, mas bastante nos outros. Viver para os outros, preocupar-se com a felicidade dos outros, é o melhor caminho de sermos felizes e nunca esquecer que a fé, a confiança e o amor a Deus é fundamental para a vida ter mais sentido e sermos mais felizes.
Deus é felicidade, Deus é Amor! Mas perdeu importância na vida de muitas pessoas que ficaram vazias por dentro e tentam encher o seu coração com aquilo que não satisfaz a sua ânsia mais profunda de felicidade.
Amor e felicidade podem ser tanta coisa: poder, bom emprego, família sexo, dinheiro, bens materiais... E Deus onde fica? Para muitos Deus não conta, para outros, Deus é mais um item dessa vasta lista.
Infelizmente, no final encontraremos as cisternas rachadas que não retêm água… Alimento que não sacia, água contaminada e estragada que não mata a sede humana de felicidade. Homens, mulheres, jovens, crianças, casais que não têm expressão, tristes, apáticos, infelizes, sempre a resmungar, não realizados porque procuram a felicidade da forma errada e acabam encontrando uma felicidade ilusória, vã e passageira.
A verdadeira felicidade não consiste simplesmente na satisfação das nossas necessidades pessoais. Quando buscamos a Deus encontramos o amor, a felicidade, a paz, no entanto, nem sempre buscando a felicidade encontramos Deus. Não podemos separá-Lo da nossa felicidade. Ele é o único capaz de fazer-nos plenamente feliz e encher o nosso coração.
“Deus é amor!” Deus só sabe amar. Frequentemente compreende-se felicidade como prazer, apetites, conveniências, gostos. Na verdade, em muitas circunstâncias da nossa vida podemos experimentar a felicidade mesmo que ela não esteja associada ao prazer ou a sentimentos.
A nossa felicidade não consiste em ter um corpo atlético, o carro do ano, o filho que contra tudo e todos eu tenho que ter. A felicidade acontece mais no dar do que no receber, no acolher, perdoar e suportar, carregar o outro. Amar não é satisfação, é doação!
A felicidade é um caminho a percorrer e não uma meta, um ponto de chegada. Felicidade não é ausência de problemas, lutas e combates. A vida de ninguém é um contínuo sucesso. A alegria está no meu coração.
Precisamos ter a coragem de derrubar os muros do medo e da superficialidade para chamar de felicidade e amor o que verdadeiramente são. A nossa vida não é um conto de fadas. É uma história de mistério que teve origem em Deus.
O ser humano, o Homem é nobre. Somos chamados por Deus à profundidade, e não é qualquer coisinha, qualquer informação, estereótipo, moda, música que irá nos deprimir. Somos nobres! Somos grandes! Somos filhos de Deus. Essa grandeza precisa ser reconhecida e submetida ao senhorio de Cristo.
A felicidade é uma pessoa: Jesus Cristo, e Ele está dentro de nós.
A dor não é o nosso fim último; a felicidade é o nosso fim último.

P. Albano Nogueira

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O DOADOR E O DOM


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albanosousanogueira@sapo.pt


Estas duas palavras são o ponto de partida para compreendermos cada vez melhor o mistério de Deus e a nossa relação com Ele como criaturas e seus filhos adoptivos.
Deus é o DOADOR e o que Ele dá é o DOM (dons).
O mais importante é o Doador, não é o dom. O mais importante na nossa relação com Deus é Ele mesmo como Doador, como Autor, como Nascente de tudo.
Deus como Criador, como Vida, como Amor, como Pai, como Mãe, como amigo…
Claro que o “dom” é importante, aquilo que Deus nos dá é muito importante, porque precisamos muito dos dons de Deus, mas não podemos valorizar o Doador pelo que dá ou não, pelo dom, sobretudo pelos dons materiais.
Veja-se um exemplo: uma criança recebe, por vezes, um presente, um dom, uma graça e nem sempre agradece a quem lho deu. Apenas ligou ao dom, ao presente e não ao doador. Dá valor a quem lhe der coisas e não entende que o valor da outra pessoa não está no dom, no presente, mas nele mesmo como doador, mesmo que não haja dom, que não haja presente.
Outras vezes são os pais que tentam compensar os filhos com presentes pela sua ausência. Eles próprios estão a dar a entender que os presentes que dão aos filhos são mais importantes que a sua presença, que é o maior e melhor presença.
Agora vamos passar a questão da nossa relação com Deus.
A pessoa que ama a Deus e acredite n’Ele gosta de pedir presentes, graças, ajuda e isso é bom; mas temos de perceber que nem sempre Deus responde como nós queremos, nem sempre nos dá o dom, o presente, mas Deus será sempre o Doador como um Dom, um presente.
Há gente que pede ajuda a Deus, a cura, uma graça e faz bem porque é sinal de fé, de confiança, mas nunca esqueça que mesmo que não receba o que pediu e do jeito que pediu, Deus continua a ser importante, porque é o Doador de todos os dons, presentes e graças.
Não podemos avaliar a nossa relação com Deus só no aspecto daquilo que recebemos como dom, porque isso é viver centrados em nós, no que podemos receber de Deus e esquecemos de agradecer o muito que já recebemos desse mesmo Deus amoroso.
O dom, o presente é um “sinal”, mas o mais importante é a realidade.
Quando Jesus fazia uma cura, um milagre, pedia às pessoas para não espalharem esse acontecimento, porque sabia perfeitamente que iriam dar muito valor ao dom (a graça recebida) e esquecer o Doador. Quando assim é, corre-se o risco de só se dar valor ao Doador enquanto dá dons, presentes; e quando não dá, já não interessa. Quando Jesus foi manietado, preso, julgado pelas autoridades religiosas e civis, já não estava em posição para dar “dons” (fazer curas e milagres), já não teve as pessoas do lado d’Ele que pediram a libertação de um criminoso (Barrabás) e pediram a condenação do justo e inocente.
Isto revela como temos de purificar a nossa imagem de Deus cujo valor não depende DO QUE NOS DÁ (OS DONS, OS PRESENTES, AS GRAÇAS, AS CURAS), MAS DO QUE Ele É: Criador, Vida, Amor, Relação, Salvação.
A nossa atitude tem de ser a de constante adoração, louvor, acção de graças por tudo o que Deus é e por tudo o que já fez para nos salvar e dar sentido à nossa vida e à nossa morte.


P. Albano Nogueira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

DEUS DÁ SENTIDO À VIDA E À MORTE


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Quando digo que Deus existe para “ DAR MAIS SENTIDO À VIDA E MAIS SENTIDO À MORTE", quero dizer que não é a mesma coisa encarar a vida ou a morte com fé em Deus ou sem fé em Deus.

Quando a vida corre bem: tenho saúde, bem-estar, harmonia, paz, amizade Deus parece que não faz muita falta… Mas quando vêm as contrariedades, as doenças, os sofrimentos, as injustiças, as tragédias, as desgraças, a vida de muita gente perde o sentido. Muitos pensam que não vale a pena viver. O melhor é morrer. Morrendo acabam-se todos os problemas, dores, doenças, sofrimentos, etc. Deus dá sentido à vida humana mesmo nos momentos de dor, de sofrimento, de desgraça, de tragédia.

Viver sofrendo sem fé em Deus (é o mesmo que sofrer sem esperança) não tem muito sentido, é um absurdo. Viver, mesmo sofrendo, com fé em Deus, é sofrer com esperança e tem mais sentido. Tal como a mulher que sofre para dar à luz uma nova vida. Sofre com esperança…

Quem tem fé sabe que sofre, mas um dia passará essa dor, esse sofrimento, se não for neste mundo será na eternidade. A morte não tem o mesmo significado ou sentido com fé em Deus ou sem fé em Deus.

Uma morte sem a fé em Deus é encarada como o fim de tudo, como se toda a vida terminasse com a morte. Assim pensam os ateus. E a morte torna-se, realmente um absurdo, um sem sentido, um fracasso, uma frustração.

Deus não interfere na capacidade do homem permanecer vivo ou morto. Mas a pessoa é que tem UM OLHAR DIFERENTE sobre a sua vida e a sua morte conforme tem fé em Deus ou não: com ESPERANÇA ou sem ESPERANÇA…


Quando se falo em "uma morte com sentido" não falo no espírito de sacrifício que norteou uma vida. Falo da morte não como um fim, não como uma frustração e um fracasso, mas como o último momento plenamente humano, em que eu “abro a última porta da vida” e espero Deus do outro lado da porta para a fechar e me acolher nos seus braços amorosos de Pai e de Mãe.

Para mim, uma morte com sentido é uma morte com esperança cristã que a vida mate a morte (como Jesus matou a morte ao morrer e ressuscitar e hoje continua vivo porque em Deus a Vida é mais forte do que a morte) e não seja a morte a matar a vida, como dizem os que não acreditam.

A morte faz parte da vida de todo o ser vivo e de todo o ser humano.

É algo de natural e não é um absurdo. Absurdo seria pensar que poderíamos viver com este corpo que se degrada milhares… de anos…

O que torna a morte obscura e absurda é a falta de fé em Deus e o medo de que tudo termine com a morte e que tudo acabe para sempre.

Jesus trouxe Lázaro de novo à vida, como um “sinal”, um gesto do poder de Deus. Mas Lázaro voltou a morrer. Jesus fez milagres por amizade às pessoas, por causa da sua fé, mas também para mostrar que o poder de Deus estava com Ele. Foi-lhe feito um pedido e Jesus demorou ainda dois ou 3 dias a ir a Betânia e quando chegou já Lázaro estava morto. Atendeu o pedido de muitas pessoas. Ajudou muitas pessoas, fez milagres que eram como que “sinais”. Um "sinal" que aponta para fora de si mesmo, como um sinal de trânsito.

O importante não foi o “sinal”, a cura, o milagre. Importante era o autor dos “sinais”: Deus presente em Jesus Cristo convidando à conversão à mudança de vida deixando o mal e aderindo ao bem.

P. Albano Nogueira