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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O SACRAMENTO DA ORDEM




albanosusanogueira@sapo.pt

http://deixadeusentrar.blogspot.com/


1- Quando alguém é ordenado presbítero, torna-se sinal e presença de Cristo Pastor no mundo. Não se trata apenas de uma função que se tem, mas também duma identificação com Cristo ao nível do mais fundamental, isto é, do próprio ser e missão.
2- Proclamar o evangelho, congregar e dirigir a comum idade, perdoar os pecados, ungir os doentes, celebrar a Eucaristia, exercer a obra de Cristo de redenção da humanidade e glorificar a Deus, eis, em suma, a obra essencial do presbítero.
Por outras palavras, “participar nas funções de santificar, ensinar e governar.
3- O padre é, eminentemente, um instrumento de contacto sacramental com Cristo. O Cristão encontra Deus nos sacramentos. Mas é através do padre que Cristo está presente sacramentalmente.
Administrando os sacramentos, o padre constrói a comum idade da fé, levando a vida humana ao contacto com a vida divina. Todos os cristãos participam na construção do Reino de Deus, mas de formas diferentes.
Escolhidos duma maneira única, os padres são designados para participarem duma forma especial na obra salvadora de Cristo.
4- Aos olhos da sociedade de hoje, a figura do padre é, pelo menos, desconcertante. Enviado a continuar na terra a missão libertadora de Cristo, o padre sabe que o acompanhará sempre o selo da contradição. No entanto, e acima de tudo, o padre terá de ser:
4.1. Um homem de fé pessoal, numa adesão profunda a Jesus Cristo. Uma fé de testemunho e de compromisso com os homens, que o faça permanentemente um “ser-para-os-outros”.
4.2. Um homem da unificação, da convivência, do diálogo, da reconciliação. Um homem capaz de reunir um povo disperso, de tudo deixar para salvar a ovelha perdida.
4.3. Um homem de oração: oração de louvor, de adoração, de petição, de acção de graças. Um homem que será o intérprete dos problemas do mundo no diálogo com Deus.
4.4. Um homem da proclamação do Evangelho, capaz de transmitir a Boa Nova com fidelidade e de ele mesmo lhe permanecer fiel.
4.5. A crise de padres é evidente preocupação da Igreja de Deus. Por esse motivo, todos os cristãos devem sentir este problema profundo e suplicar com insistentes orações ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a Sua seara.
“Todo o sacerdote é escolhido de entre os homens e constituído a favor dos homens, nas coisas concernentes a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. No entanto, apesar de toda a grandeza da sua missão, ele mesmo está rodeado de fraqueza, a fim de poder compadecer-se dos que são ignorantes e vivem extraviados.
Ninguém toma para si esta honra, mas apenas o que é chamado por Cristo a participar na sua função sacerdotal para oferecer o sacrifício de Cristo e do Povo de Deus” (Heb 5, 1-4).

(continua)
P. Albano Nogueira

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

HOMEM ANIMAL RACIONALOU IMAGEM DE DEUS


albanosousanogueira@sapo.pt

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HOMEM ANIMAL RACIONAL,OU IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS?


Quando pensamos na pessoa humana, homem e mulher, podemos pensar, afinal, quem é o homem? Quem é a mulher?
Uma definição muito antiga que já vem do grande filósofo grego Aristóteles, alguns séculos antes de Cristo, diz-nos que “o homem é um animal racional”.
Ou seja: o homem é um animal, tem muitas características dos animais, tem alguns instintos dos animais, mas é-lhes superior pela inteligência, pela racionalidade.
Esta definição tem muito de verdade: as pessoas humanas são animais que pensam, com racionalidade. Mas é uma definição incompleta e que define as pessoas por baixo, muito próximas do animal.
O homem usa a razão para se elevar acima dos instintos animais, mas às vezes usa a sua razão para o mal, para pensar o mal, construir o mal e fazer o mal. O que dá a razão a sua elevação não é ela mesma, pois o pensar em si não é automaticamente nem bom, nem mau.
A moral e ainda mais a moral bíblica e católica é que dão à razão humana uma elevação que leva a pessoa a distinguir o que é bem e o que é mal e isso, do ponto de vista católico, não é algo que se deve só à razão, mas à moral e a moral católica tem a sua base em Deus, no Deus bíblico revelado no Antigo e no Novo Testamento.
A Sagrada Escritura e a religião cristã dizem-nos que o homem é muito mais do que animal racional. O homem é IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS. Uma diferença enorme, uma elevação extra ordinária da pessoa humana. Uma definição por cima, que eleva a pessoa até Deus.
Vivemos numa sociedade onde Deus não conta para quase nada.
As leis do estado nesta Europa descristianizada e ateia, não têm em conta a grandeza da pessoa humana e olham para a pessoa na sua dimensão material, biológica, racional, afectiva; mas esquecem a grande dignidade da pessoa humana como imagem e semelhança de Deus.
Sem Deus, quem sou eu? Que faço na terra? De onde vim? Para onde vou? Sem Deus, qual o sentido da vida? Sem religião quem é a pessoa humana?
Infelizmente quando vemos o rumo da sociedade, preocupada sobretudo com O TER: ter coisas, ter bens materiais, ter dinheiro, ter fama, ter sucesso, ter prazer, ter gozo, ter honras, ter vitórias, vamo-nos apercebendo que o rumo não é tão certo como alguns querem fazer crer.
A pessoa humana não pode apenas basear a sua existência no TER, mas também e muito no SER: ser pessoa, ser digno, ser verdadeiro, ser honesto, ser generoso, ser solidário, ser crente, ser humilde, ser filho adoptivo de Deus…

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

VIVER ACORDADO E CONSCIENTE






Somos filhos deste mundo, mas não devemos ser seus escravos, vivendo apenas com os olhos postos no chão, esquecidos do transcendente, do divino.
Vivemos num mundo de contínua mudança, mas nem tudo é transitório. Existe o necessário, o definitivo e último.
Sofremos a tentação de nos apegarmos aos falsos absolutos, e adorá-los. Só Deus é o Absoluto que liberta. Aquilo e aqueles que pretendem ser absolutos neste mundo tiram-nos a liberdade com fanatismos.
Deus é esse Outro libertador, com quem nos podemos encontrar, amigo com amigo, Alguém que nos sorri dos céus.
Não devemos viver a vida a dormir, desinteressados das coisas espirituais, viver apenas voltados para o visível, o sensível, as horas vulgares, o cinzento do nosso dia-a-dia.
Toda a gente, mais dia, menos dia, põe a si mesma a questão do sentido ou do fracasso da sua existência.
É preciso ter tempo para fazer silêncio, fugir das horas vulgares da existência, escutar uma voz no íntimo de nós mesmos que nos convida a "ser o que devemos ser". Perguntemos a nós mesmos: será que eu sou quem devo ser?
É preciso estar acordado, atento, vigilante em relação à totalidade da nossa vida, ao sentido ou ao fracasso da nossa existência.
Uma voz diz-nos cá dentro da alma: "Sê quem és", quer dizer: sê verdadeiro, sê honesto, sê sério, sê um filho de Deus, um católico. Só tens uma vida, não brinques com ela...
Pergunta a ti mesmo: quem sou eu? O que faço aqui na terra? Para que é que eu vivo? Qual o valor do que faço e do que sou?
Com o passar dos anos as dimensões mais profundas da nossa vida ficam distorcidas, desfocadas, adulteradas pelo verdete da rotina. Muita gente não vive a vida, arrasta-a pela rotina.
Para que a vida seja bem vivida é preciso criar algo de novo no pensar e no ser, no ser para Deus. O silêncio, a meditação é uma oportunidade para ouvirmos Deus a dizer-nos: "Sê quem és"; "sê quem deves ser".
As mesmas coisas que vemos todos os dias se as olharmos com atenção, com um olhar fixo, elas parecem diferentes e ganham um novo interesse, uma nova importância. Isto vale para coisas, acontecimentos, pessoas, estados de vida.
Este olhar atento leva-nos a perceber o desgaste da monotonia rotineira.
O hábito, a rotina, a preguiça, o comodismo, a resignação são outros amores que estragam o primeiro amor puro e original.
A vida não é uma peça de teatro, não pode ser ensaiada. Só temos uma oportunidade e não podemos "falhar". Não podemos brincar com a vida.
Cada vida humana é única, irrepetível, como a pessoa que a vive. Cada um vai fazendo o seu caminho ao caminhar. Não há caminho feito, não há destino traçado para nós. Somos nós que traçamos o nosso destino.

José Rogério Almeida

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ORAÇÃO


albanosousanogueira@sapo.pt
http://deixadeusentrar.blogspot.com

Não Recebi nada do que pedi
Pedi a Deus para ser forte
a fim de executar projectos grandiosos,
E Ele me fez fraco
para conservar-me humilde.


Pedi a Deus que me desse saúde
para realizar grandes
empreendimentos,
E Ele deu-me a doença,
para compreendê-Lo melhor.


Pedi a Deus a riqueza, para tudo possuir,
E Ele deixou-me pobre para não ser egoísta.
Pedi a Deus poder,
para que os homens precisassem de mim,
E Ele deu-me humildade
para que d’Ele precisasse.


Pedi a Deus tudo, para gozar a vida,
E Ele me deu a vida, para gozar de tudo.

Senhor, não recebi nada do que pedi,
Mas deste-me tudo o de que eu precisava.


E, quase contra a minha vontade,
As preces que não fiz foram ouvidas.
Louvado sejas ó meu Deus!
Entre todos os homens
ninguém tem mais do que eu!


(Oração de um atleta americano que, aos 24 anos se tornou paralítico e nessa situação achou Deus.)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

MENSAGEM DA CRIANÇA



albanosousanogueira@sapo.pt
http://deixadeusentrar.blogspot.com


Dizes que sou o futuro,
Não me desampares o presente.

Dizes que sou a esperança da paz,
Não me induzas à guerra.

Dizes que sou a promessa do bem,
Não me confies ao mal.

Dizes que sou a luz dos teus olhos,
Não me abandones às trevas.

Não espero somente o teu pão,
Dá-me luz e entendimento.

Não desejo tão só a festa de teu carinho,
Suplico-te amor com que me eduques.

Não te rogo apenas brinquedos,
Peço-te bons exemplos e boas palavras.

Não sou simples ornamento de teu caminho,
Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.

Ensina-me o trabalho e a humildade,
o devotamento e o perdão.

Compadece-te de mim e orienta-me
para o Que seja bom e justo...

Corrige-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra...
Ajuda-me hoje,
para que amanhã eu não te Faça chorar.


Autor: Meimei.

sábado, 1 de agosto de 2009

SENHORA DO SILÊNCIO







Mãe do Silêncio e da Humildade, tu vives perdida e encontrando mar sem fundo do Mistério do Senhor.

Tu és disponibilidade e receptividade.

Tu és fecundidade e plenitude.

Tu és atenção e solicitude pelos irmãos.

Estás revestidas de fortaleza.

Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual.

És senhora de ti mesma antes de ser nossa Senhora.

Em ti não existe dispersão.

Em um acto de simples e total, tua alma, toda imóvel, está paralisada e identificada com o Senhor.

Estás em Deus, e Deus em ti.

O Mistério total te envolve e te penetra e te possui, ocupa e entrega todo o teu ser.

Parece que em ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo: o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus.

Tudo ficou assumido em ti, e divinizado.

Jamais se viu figura humana de tamanha doçura,nem se voltará a ver nesta terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.

Entretanto, teu silêncio não é a ausência mas presença.

Estás abismada no Senhor e, ao mesmo tempo, atenta aos irmãos, como em Caná.

A comunicação nunca é tão profunda como quando não se diz nada, e o silêncio nunca é tão eloquente como quando nada se comunica.

Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos, mas fonte de energia e de irradiação, não é encolhimento mas projecção.

Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso preencher-se.

Afoga-se o mundo no mar da dispersão, e não é possível amar os irmãos com um coração disperso.Faz-nos compreender que o apostolado, sem silêncio, é alienação, e que o silêncio, sem apostolado, é comodidade.

Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua FÉ, a altura de tua Esperança e a profundidade de teu Amor.

Fica com os que ficam e vem com os que partem.


Ó Mãe Admirável do Silêncio!


Autor: Frei Inácio Larrañaga.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

ORAÇÃO DA NOITE






Meu Pai,

agora que as vozes silenciaram e os clamores se apagaram, aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti para dizer: creio em Ti, espero em Ti, amo-te com todas as minhas forças.

Glória a Ti, Senhor.

Deposito em tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás.

Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram, se dei lugar ao rancor ou à tristeza, perdão, Senhor!

Tem piedade de mim.Se fui infiel, se pronunciei palavras vãs, se me deixei levar pela impaciência, se fui um espinho para alguém, perdão, Senhor!

Nesta noite, não quero me entregar ao sono sem sentir sobre a minha alma a segurança de tua misericórdia, tua doce misericórdia inteiramente gratuita, Senhor.

Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia.

Eu te agradeço porque - invisível, carinhoso, envolvente - cuidaste de mim como uma mãe, em todas estas horas.

Senhor, ao redor de mim tudo já é silêncio e calma. Envia o anjo da Paz a esta casa.

Relaxa meus nervos, sossega o meu espírito, solta as minhas tensões, inunda meu ser de silêncio e de serenidade.

Vela por mim, Pai querido, enquanto eu me entrego confiante ao sono como uma criança que dorme feliz em teus braços.Em teu nome, Senhor, descansarei tranquilo.

Assim seja.


(Autor: Frei Ignácio Larrañaga, em "Encontro")