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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CARVALHOS QUE TREMEM

albanosousanogueira@sapo.pt
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Todas as pessoas são atingidas pelas experiências que o meio-ambiente, feito de eventos, coisas e pessoas, lhes oferece.
E cada experiência sofrida deixa marcas no indivíduo, as quais vão sendo absorvidas pela sua personalidade, terminando por elaborar-lhe um determinado carácter.
Portanto, todas as experiências ficam integradas na personalidade e perduram pela vida fora.
É como se tivéssemos em nós 3 bonecos feitos de diferentes materiais: vidro, plástico e ferro.
Se lhe dermos um golpe de martelo igual em cada um, as consequências serão bem diferentes.
Nós não somos bonecos, mas vivemos expostos a muitas marteladas, que são as experiências que nos atingem e que deixam as respectivas marcas.
A reacção é diferente devido às seguintes causas:
1) Hereditariedade - o que herdamos dos nossos pais e antepassados;
2) Educação - o que recebemos pela formação e cultura;
3) Ambiente que nos rodeia e as influências dos outros, do clima, da natureza.
Tal como as árvores, nós sofremos muitos vendavais.
Algumas pessoas são tão vulneráveis que são atingidas e marcadas até por suaves brisas.
Todas se abalam.
Porém, cada um responde a seu modo.
Uns aguentam-se, outros não, tropeçam na caminhada.
É que há um sentimento que se carrega na fragilidade humana e que faz a pessoa tremer como tremem os carvalhos sacudidos pelos ventos.
Essa incerteza de sucesso chama-se insegurança.
Os homens andam sempre à busca de novos pontos de apoio para tentar erguer o mundo da sua realização, mas não o encontram tão facilmente, pois detêm-se em superficialidades em vez de ir ao essencial.
Busca-se a segurança nas coisas, nas quinquilharias, no dinheiro, nas casas, nas práticas vistosas, nos sucessos, nos outros, etc.
A insegurança é uma experiência que desencadeia outras experiências, de dor pelo medo, pela inibição e pela vergonha que suscita ao ver-se bloqueada diante do sucesso.
Vejamos algumas manifestações fisiológicas da insegurança - asma, gaguez, irupções na pele (alergias); espasmos de estômago, formação de gases e falta de capacidade digestiva.
Toda a gente, em algum momento sente insegurança.
O problema é quando a pessoa vive sempre na insegurança, na corda bamba, sem ter confiança em si mesma.
Tirado de PIO JOSÉ SOLDERA, Dinâmicas de realização pessoal, Ed. A.O., Braga, 1991. (continua)

(Pe. Albano Nogueira)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A REALIZAÇÃO PESSOAL

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"O maior bem que fazemos aos outros não é dar-lhes riqueza, mas mostrar-lhes as suas próprias riquezas" - Cardeal Suenens.
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"A palavra, o sorriso, o ser e o coração de uns podem alimentar os outros e fazer renascer neles a confiança.
Às vezes, é dar a partir de um cesto vazio.
Quando me sinto vazio por dentro, posso dar uma palavra que alimenta; quando estou angustiado, posso transmitir a paz.
Só Deus pode fazer tais milagres". Jean Vanier.

INTRODUÇÃO

A vida ensina mais através dos fracassos do que dos sucessos.
As pessoas têm vida e procuram buscar uma vida cada vez mais intensa. Algumas vezes acertam e dão-se por realizadas; muitas vezes tropeçam, frustram-se e param sem saber o que fazer com as suas frustrações e limitações.
O Homem é um ser em caminhada rumo a uma meta.
Na caminhada os Homens tropeçam e fazem tropeçar; empurram os outros, colocam obstáculos e até destrõem outros.
O que menos fazem é harmonizar-se, dar-se as mãos, confraternizar e comprometer-se a tornarem-se reciprocamente melhores.
As ambições acenderam-se em fogueiras devoradoras, alimentadas por ciúmes e invejas, que lançam os Homens numa louca corrida de competições.
Com isso sentem-se mal, cegos, surdos e mudos para se promoverem.
Apesar da luta ser necessária, ela pode ser uma competição pacífica, competir sem destruir.
Na nossa sociedade a ânsia de poder, pela superioridade, pelo amealhamento de bens, é incontida em nome da civilização!...
O ciúme e a inveja, as iras e as aspirações, as tiranias e as subserviências interesseiras, não poupam nenhum coração humano a não ser aqueles que já foram confirmados na graça.
Segundo o Génesis, quando Deus criou o mundo, viu que tudo era bom (1,31).
Assim, a pessoa pode continuar a obra criadora, tirando a bondade que está dentro de si mesma, para acordar e suscitar a bondade que está no íntimo do seu irmão.
Esta é a suprema tarefa a que somos chamados:
Ser BOM e ajudar os outros a SEREM BONS.
As duas maiores emoções humanas são o amor e o ódio.
O amor constrói; o ódio destrói.
O amor faz a pessoa feliz.
O ódio faz a pessoa infeliz.
O amor cria o Céu na terra.
O ódio cria o Inferno na terra.
É infeliz o homem que não tem amigos.
A amizade humana é um dom que se cultiva passando por muitos riscos, mas que são necessários para a realização.
É fascinante acender luzes nas mentes humanas por meio dessa ciência cujo objecto é a sabedoria do ser humano e desvendar os mistérios que se aninham no seu íntimo.
O sofrimento está acampado entre os seres humanos.
Não bastam os comprimidos.
É necessário uma palavra de confiança, uma mão estendida para ajudar a levantar os que sofrem e vivem prostrados.
Deus conta contigo.
Em vez de criticares os defeitos doutros,
ajuda-os.
Tu também tens muitos defeitos
e queres ser ajudado, mesmo assim...
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(continua)

(Tirado de: PIO JOSÉ SOLDERA, Dinâmicas de realização pessoal, Ed. A.O., Braga, 1991. )