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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

COMPREENDER A QUARESMA HOJE


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albanosousanogueira@sapo.pt

A sociedade de hoje e muitos cristãos católicos não conseguem ver por dentro as orientações da Igreja Católica e só conseguem ver por fora certos ensinamentos e práticas religiosas porque vivemos numa sociedade muito superficial e banal.
É uma visão e um entendimento muito pobre de quem não consegue passar do exterior, do visível, para o interior das coisas e das pessoas.
“É por dentro que as coisas e as pessoas são o que são”.
Esta introdução vem a propósito do tempo litúrgico da quaresma que se inicia nesta quarta feira de cinzas: “lembra-te Homem que és pó e em pó te hás-de tornar…”
Na quaresma, são 3 as realidades que os católicos são convidados e ter em conta para crescerem nas virtudes da fé, esperança e caridade.
1. Oração- Quaresma é tempo de rezar mais e rezar melhor: Eucaristia, terço, via-sacra, leitura da Bíblia, oração individual, oração familiar, oração comunitária. A oração leva a crescer na virtude da FÉ, da confiança, no amor de Deus. O importante é crescer na virtude da FÉ, entendida como um relacionamento amoroso de um(a) filho(a) com Deus Pai; com Jesus Cristo, Deus Filho e com Deus Espírito Santo.
2. Esmola – Partilha, renúncia quaresmal (ou bulas, ou contributo penitencial), oferta para a sustentação do pároco. A virtude da caridade, da generosidade: amor aos outros. Trata-se de partilhar com os mais pobres e contribuir para a sustentação do clero: uma tradição em todo o mundo e em todas as religiões.

3- Jejum, abstinência, e penitência – Símbolos da esperança de quem quer ser melhor, mais perfeito, mais sábio, mais livre e menos dependente do pecado, do egoísmo, das coisas materiais: comer, beber. Virtude da moderação, da temperança, que leva à esperança da salvação.
Há limites para o ser humano porque ele é limitado.
Reconhecendo o seu pecado, o seu egoísmo, os seus excessos, o crente católico vai-se confessar, reconciliar-se, pedir perdão a Deus no sacramento da confissão, fazer um propósito firme de emenda, compensar aqueles que prejudicou= satisfação.
As cinzas são um símbolo visível que apontam para outra realidade mais profunda: o Homem é caduco, passageiro, mortal. Não é Deus, não é imortal, não poder de dizer tudo, não pode fazer tudo, não pode experimentar tudo. Há coisas que pode fazer, mas não deve... Há limites porque o ser humano é limitado.
As cinzas são um símbolo que apontam para Alguém que é Imortal, Infinito, Eterno – Deus.
Quarta-feira de cinzas. Dia de jejum e abstinência. Jejum consiste em tomar uma refeição principal e na outra tomar algo de muito ligeiro. A abstinência na tradição da Igreja consiste em não comer carne na quarta-feira de cinzas e nas sextas-feiras da quaresma. O jejum e a abstinência apontam o domínio de si mesmo, domínio dos apetites, domínio de excessos e vícios…
A saúde começa na boca.
Uma pessoa, nas sextas-feiras da quaresma, pode, por exemplo, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, reduzir o tempo dado à TV, não tomar café, diminuir uso e dependência do telemóvel, ler bons livros, ler a Bíblia, rezar mais, visitar doentes, idosos, fazer voluntariado, etc.
Outras pessoas podem abster-se do palavrão, da crítica, da murmuração, da mentira, das injustiças, de outros pecados.
Não se trata apenas de não comer carne, mas de dominar o mal que há em nós…
O que se trata é de DOMINAR-SE, não ser escravo da boca, da barriga, das coisas que usamos no dia-a-dia. A razão de ser destas práticas penitenciais da quaresma pretendem levar a pessoa a dominar-se, a controlar-se, a não ser escravo da boca, nem da barriga, das coisas, mas ser senhor das coisas…
Cortar o mal, como se podam as videiras e deixar ficar apenas o bem em nós.
Estas práticas pretendem ajudar os católicos a fazerem um esforço de se dominarem, de se aperfeiçoarem, de serem mais livres, de serem mais perfeitos, mais santos.

Pe. Albano Nogueira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

QUEM NOS DARÁ A FELICIDADE?

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Quem nos dá felicidade?
As coisas materiais?
As pessoas?
A cultura?
Deus?

Todas as pessoas desejam ser felizes. Todos nós trazemos este anseio no mais profundo do nosso coração. Fomos criados por um Deus feliz, um Deus de amor, de alegria e de paz!
O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há-de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar.
O mais doloroso é ver que nessa busca frenética, desordenada e por vezes irresponsável pela felicidade, acabamos invertendo o valor das diferentes realidades da nossa vida.
Umas vezes, damos valor demais às coisas, outras vezes, damos valor demais às coisas; outras vezes damos demasiado valor à cultura, ao intelecto e esquecemos algo de muito essencial: a fé e a confiança em Deus.
Precisamos dos bens materiais, precisamos das pessoas, precisamos de cultura, mas precisamos também de um projecto de vida, um ideal que não pode estar só centrado em nós, mas bastante nos outros. Viver para os outros, preocupar-se com a felicidade dos outros, é o melhor caminho de sermos felizes e nunca esquecer que a fé, a confiança e o amor a Deus é fundamental para a vida ter mais sentido e sermos mais felizes.
Deus é felicidade, Deus é Amor! Mas perdeu importância na vida de muitas pessoas que ficaram vazias por dentro e tentam encher o seu coração com aquilo que não satisfaz a sua ânsia mais profunda de felicidade.
Amor e felicidade podem ser tanta coisa: poder, bom emprego, família sexo, dinheiro, bens materiais... E Deus onde fica? Para muitos Deus não conta, para outros, Deus é mais um item dessa vasta lista.
Infelizmente, no final encontraremos as cisternas rachadas que não retêm água… Alimento que não sacia, água contaminada e estragada que não mata a sede humana de felicidade. Homens, mulheres, jovens, crianças, casais que não têm expressão, tristes, apáticos, infelizes, sempre a resmungar, não realizados porque procuram a felicidade da forma errada e acabam encontrando uma felicidade ilusória, vã e passageira.
A verdadeira felicidade não consiste simplesmente na satisfação das nossas necessidades pessoais. Quando buscamos a Deus encontramos o amor, a felicidade, a paz, no entanto, nem sempre buscando a felicidade encontramos Deus. Não podemos separá-Lo da nossa felicidade. Ele é o único capaz de fazer-nos plenamente feliz e encher o nosso coração.
“Deus é amor!” Deus só sabe amar. Frequentemente compreende-se felicidade como prazer, apetites, conveniências, gostos. Na verdade, em muitas circunstâncias da nossa vida podemos experimentar a felicidade mesmo que ela não esteja associada ao prazer ou a sentimentos.
A nossa felicidade não consiste em ter um corpo atlético, o carro do ano, o filho que contra tudo e todos eu tenho que ter. A felicidade acontece mais no dar do que no receber, no acolher, perdoar e suportar, carregar o outro. Amar não é satisfação, é doação!
A felicidade é um caminho a percorrer e não uma meta, um ponto de chegada. Felicidade não é ausência de problemas, lutas e combates. A vida de ninguém é um contínuo sucesso. A alegria está no meu coração.
Precisamos ter a coragem de derrubar os muros do medo e da superficialidade para chamar de felicidade e amor o que verdadeiramente são. A nossa vida não é um conto de fadas. É uma história de mistério que teve origem em Deus.
O ser humano, o Homem é nobre. Somos chamados por Deus à profundidade, e não é qualquer coisinha, qualquer informação, estereótipo, moda, música que irá nos deprimir. Somos nobres! Somos grandes! Somos filhos de Deus. Essa grandeza precisa ser reconhecida e submetida ao senhorio de Cristo.
A felicidade é uma pessoa: Jesus Cristo, e Ele está dentro de nós.
A dor não é o nosso fim último; a felicidade é o nosso fim último.

P. Albano Nogueira

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O DOADOR E O DOM


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Estas duas palavras são o ponto de partida para compreendermos cada vez melhor o mistério de Deus e a nossa relação com Ele como criaturas e seus filhos adoptivos.
Deus é o DOADOR e o que Ele dá é o DOM (dons).
O mais importante é o Doador, não é o dom. O mais importante na nossa relação com Deus é Ele mesmo como Doador, como Autor, como Nascente de tudo.
Deus como Criador, como Vida, como Amor, como Pai, como Mãe, como amigo…
Claro que o “dom” é importante, aquilo que Deus nos dá é muito importante, porque precisamos muito dos dons de Deus, mas não podemos valorizar o Doador pelo que dá ou não, pelo dom, sobretudo pelos dons materiais.
Veja-se um exemplo: uma criança recebe, por vezes, um presente, um dom, uma graça e nem sempre agradece a quem lho deu. Apenas ligou ao dom, ao presente e não ao doador. Dá valor a quem lhe der coisas e não entende que o valor da outra pessoa não está no dom, no presente, mas nele mesmo como doador, mesmo que não haja dom, que não haja presente.
Outras vezes são os pais que tentam compensar os filhos com presentes pela sua ausência. Eles próprios estão a dar a entender que os presentes que dão aos filhos são mais importantes que a sua presença, que é o maior e melhor presença.
Agora vamos passar a questão da nossa relação com Deus.
A pessoa que ama a Deus e acredite n’Ele gosta de pedir presentes, graças, ajuda e isso é bom; mas temos de perceber que nem sempre Deus responde como nós queremos, nem sempre nos dá o dom, o presente, mas Deus será sempre o Doador como um Dom, um presente.
Há gente que pede ajuda a Deus, a cura, uma graça e faz bem porque é sinal de fé, de confiança, mas nunca esqueça que mesmo que não receba o que pediu e do jeito que pediu, Deus continua a ser importante, porque é o Doador de todos os dons, presentes e graças.
Não podemos avaliar a nossa relação com Deus só no aspecto daquilo que recebemos como dom, porque isso é viver centrados em nós, no que podemos receber de Deus e esquecemos de agradecer o muito que já recebemos desse mesmo Deus amoroso.
O dom, o presente é um “sinal”, mas o mais importante é a realidade.
Quando Jesus fazia uma cura, um milagre, pedia às pessoas para não espalharem esse acontecimento, porque sabia perfeitamente que iriam dar muito valor ao dom (a graça recebida) e esquecer o Doador. Quando assim é, corre-se o risco de só se dar valor ao Doador enquanto dá dons, presentes; e quando não dá, já não interessa. Quando Jesus foi manietado, preso, julgado pelas autoridades religiosas e civis, já não estava em posição para dar “dons” (fazer curas e milagres), já não teve as pessoas do lado d’Ele que pediram a libertação de um criminoso (Barrabás) e pediram a condenação do justo e inocente.
Isto revela como temos de purificar a nossa imagem de Deus cujo valor não depende DO QUE NOS DÁ (OS DONS, OS PRESENTES, AS GRAÇAS, AS CURAS), MAS DO QUE Ele É: Criador, Vida, Amor, Relação, Salvação.
A nossa atitude tem de ser a de constante adoração, louvor, acção de graças por tudo o que Deus é e por tudo o que já fez para nos salvar e dar sentido à nossa vida e à nossa morte.


P. Albano Nogueira

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

DEUS DÁ SENTIDO À VIDA E À MORTE


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Quando digo que Deus existe para “ DAR MAIS SENTIDO À VIDA E MAIS SENTIDO À MORTE", quero dizer que não é a mesma coisa encarar a vida ou a morte com fé em Deus ou sem fé em Deus.

Quando a vida corre bem: tenho saúde, bem-estar, harmonia, paz, amizade Deus parece que não faz muita falta… Mas quando vêm as contrariedades, as doenças, os sofrimentos, as injustiças, as tragédias, as desgraças, a vida de muita gente perde o sentido. Muitos pensam que não vale a pena viver. O melhor é morrer. Morrendo acabam-se todos os problemas, dores, doenças, sofrimentos, etc. Deus dá sentido à vida humana mesmo nos momentos de dor, de sofrimento, de desgraça, de tragédia.

Viver sofrendo sem fé em Deus (é o mesmo que sofrer sem esperança) não tem muito sentido, é um absurdo. Viver, mesmo sofrendo, com fé em Deus, é sofrer com esperança e tem mais sentido. Tal como a mulher que sofre para dar à luz uma nova vida. Sofre com esperança…

Quem tem fé sabe que sofre, mas um dia passará essa dor, esse sofrimento, se não for neste mundo será na eternidade. A morte não tem o mesmo significado ou sentido com fé em Deus ou sem fé em Deus.

Uma morte sem a fé em Deus é encarada como o fim de tudo, como se toda a vida terminasse com a morte. Assim pensam os ateus. E a morte torna-se, realmente um absurdo, um sem sentido, um fracasso, uma frustração.

Deus não interfere na capacidade do homem permanecer vivo ou morto. Mas a pessoa é que tem UM OLHAR DIFERENTE sobre a sua vida e a sua morte conforme tem fé em Deus ou não: com ESPERANÇA ou sem ESPERANÇA…


Quando se falo em "uma morte com sentido" não falo no espírito de sacrifício que norteou uma vida. Falo da morte não como um fim, não como uma frustração e um fracasso, mas como o último momento plenamente humano, em que eu “abro a última porta da vida” e espero Deus do outro lado da porta para a fechar e me acolher nos seus braços amorosos de Pai e de Mãe.

Para mim, uma morte com sentido é uma morte com esperança cristã que a vida mate a morte (como Jesus matou a morte ao morrer e ressuscitar e hoje continua vivo porque em Deus a Vida é mais forte do que a morte) e não seja a morte a matar a vida, como dizem os que não acreditam.

A morte faz parte da vida de todo o ser vivo e de todo o ser humano.

É algo de natural e não é um absurdo. Absurdo seria pensar que poderíamos viver com este corpo que se degrada milhares… de anos…

O que torna a morte obscura e absurda é a falta de fé em Deus e o medo de que tudo termine com a morte e que tudo acabe para sempre.

Jesus trouxe Lázaro de novo à vida, como um “sinal”, um gesto do poder de Deus. Mas Lázaro voltou a morrer. Jesus fez milagres por amizade às pessoas, por causa da sua fé, mas também para mostrar que o poder de Deus estava com Ele. Foi-lhe feito um pedido e Jesus demorou ainda dois ou 3 dias a ir a Betânia e quando chegou já Lázaro estava morto. Atendeu o pedido de muitas pessoas. Ajudou muitas pessoas, fez milagres que eram como que “sinais”. Um "sinal" que aponta para fora de si mesmo, como um sinal de trânsito.

O importante não foi o “sinal”, a cura, o milagre. Importante era o autor dos “sinais”: Deus presente em Jesus Cristo convidando à conversão à mudança de vida deixando o mal e aderindo ao bem.

P. Albano Nogueira

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PARA QUE "SERVE" DEUS?


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PARA QUE SERVE ACREDITAR EM DEUS?
PARA QUE SERVE REZAR?
PARA QUE SERVE PRATICAR A RELIGIÃO?

Muitos acreditam em Deus e são felizes; outros não acreditam em Deus e são felizes também. Muitos acreditam em Deus e são infelizes; outros não acreditam em Deus e não são infelizes também.
Penso que a fé em Deus não traz automaticamente a felicidade e não acreditar em Deus não traz automaticamente a infelicidade. A felicidade do viver de cada um depende muito da forma como encaramos a vida, os outros, as coisas, os acontecimentos, as contrariedades, as dificuldades.
Para que serve acreditar em Deus?
Teríamos de dizer desde já que o verbo “serve” está mal usado. Não se deve aplicar a Deus. Deus não é um objecto que sirva ou não sirva para algo. O mesmo se pode dizer de uma pessoa: uma pessoa não existe para “servir” para alguma função como um objecto serve: um carro, Tv, computador servem para isto ou para aquilo.
Deus é um ser superior e não pode ser entendido no sentido de “servir” para algo. Deus é um Ser que existe (é o que dizem os que acreditam) e a sua importância está em DAR MAIS SENTIDO À VIDA E MAIS SENTIDO À MORTE.
Deus não existe para resolver os nossos problemas. Deus não “serve” para resolver as dificuldades, as doenças, as contrariedades, as aflições, os sofrimentos e as crises da vida. Esta é uma ideia presente em muitas cabeças, mas uma ideia errada de Deus. Deus não existe para compensar aquilo que nós não somos capazes de fazer, e aquilo que não somos capazes de resolver.
Muita gente pensa que Deus "serve" para nos ajudar, no curar, fazer milagres, resolver os problemas que nós não conseguimos resolver...
Claro que podemos e devemos pedir ajuda a Deus sempre que precisarmos. Mas não fiquemos à espera que Deus venha resolver todos os nossos problemas do jeito que nós queremos... Deus não "serve" para isso. Deus ajuda-nos dando-nos sabedoria, força, coragem, inteligência para resolver os problemas que a vida nos apresenta e contando também com a ajuda dos outros. Deus também nos ajuda pelos outros. Mas não esperemos a solução dos nossos problemas cruzando os braços e esperando que Deus faça tudo... Nós temos de fazer sempre a nossa parte, esperar que, se for da vontade e do plano de Deus as coisas aconteçam como nós pedimos, mas se não acontecer, não devo dizer: "pedi ajuda a Deus para os meus problemas e Deus não me ajudou, ficou tudo na mesma... Estou desiludido...".
Se isto se passar consigo, quero dizer-lhe que a sua ideia de Deus está um pouco distorcida, tremida, incorrecta e quem tem de mudar não é Deus, mas a sua imagem de Deus é que tem de mudar...

No meu ponto de vista, Deus deve ser entendido nesta dimensão: a minha vida tem mais sentido, mais significado, mais grandeza se eu acreditar no Deus da Bíblia revelado em sobretudo em Jesus Cristo. E a minha morte, sem Deus, perde todo o seu sentido, torna-se um fracasso, uma frustração, um absurdo. Com Deus, a morte ganha sentido, ganha significado, como uma porta de entrada noutra dimensão da vida humana.
Diríamos então, vale a pena acreditar em Deus para que a minha vida e a minha morte nunca sejam um absurdo, uma frustração, um sem sentido; mas algo pleno de sentido, quaisquer que sejam as circunstâncias que rodeiam a minha vida e a minha morte.
Entre viver e morrer com pouco ou nenhum sentido; e viver e morrer com todo o sentido, eu prefiro viver e morrer com todo o sentido que me vem da minha fé no Deus Criador, no Deus da Vida, no Deus Amor, no Deus Salvador.
Hoje é o Dia Mundial do Doente e dia das aparições de Nossa Senhora de Lourdes- França - 11 de Fevereiro.
Que Deus te abençoe a ti que sofres, meu irmão e minha irmã e te ajude nas tuas dificuldades e doenças, por meio de Nossa Mãe Santíssima.

Padre Albano Nogueira

sábado, 7 de fevereiro de 2009

ORAÇÃO




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Senhor Meu Deus e meu bom Pai do Céu. Eu creio em Ti. Não te vejo, não te oiço directamente, não te toco, mas vejo as tuas marcas em todo o universo criado. Vejo a tua presença nas pessoas e no bem que elas fazem.
Obrigado, Senhor, por me teres dado a vida, a fé católica e uma vocação.
Chamas-me todos os dias a ser Tua testemunha no mundo e entre os irmãos. Chamas-me a viver com os outros, a encontrar-Te e a amar-Te nos outros.
Tu que vês a minha vida e conheces todo o meu ser.
Ajuda-me a descobrir e a viver plenamente a minha vocação.Ilumina-me, Senhor, para saber se me chamas a uma vida de total consagração, de dedicação aos outros ou à vida matrimonial. Ajuda-me, Senhor a descobrir e a seguir a minha vocação.

NÃO TE AFASTES, SENHOR, se a porta do meu coração ficasse fechada para Ti, derruba-a, eu Te peço: não Te afastes.
Se as cordas do meu coração não vibrassem um cântico para Ti,
Aguarda, eu Te suplico: não Te afastes. E se um dia, ao chamamento da Tua voz, não acordasse para Ti, que a Tua dor me desperte: Não Te afastes.
Se depois, louco , um ídolo erguesse em Teu trono de rei,tem piedade de mim, Senhor: Não te afastes!

Senhor, meu amigo, Tu me tomaste pela mão.Irei contigo sem medo algum até ao fim do caminho.Contigo avanço no meio do vento e do frio.
Avanço, nada me importa, levo-te no coração comigo.Tudo é dança, riso, gozo. Mas eu prossigo procurando o Teu rosto no meio da gritaria.Caminharei ligeiro entoando a minha canção.
Sei que Tu me esperas à beira da tua bela mansão.Tu estás lá, sim, estou certo.Vejo o Teu rosto e a mesa onde estás colocando dois talheres!

Ser feliz é ser capaz de viver em alegria.
Ser feliz é acreditar em si e nos outros.
Ser feliz é não viver sozinho, isolado, mas ver, ouvir, dialogar com o outro.
Ser feliz é dizer NÃO à mentira, ao ódio, à injustiça, às vidas fáceis que a nada conduzem.
Ser feliz é acreditar que o amor um dia triunfará.
Ser feliz é ter esperança que entre os homens a guerra há-de acabar
E que para sempre só PAZ haverá.

Senhor, Deus da paz, Tu que criastes os homens, para serem herdeiros da Tua glória,
Nós te bendizemos e agradecemos, porque nos enviaste Jesus, Teu filho bem amado que reconciliou uns com os outros.
Abre mais ainda os nossos espíritos e os nossos corações para as exigências concretas do amor de todos os nossos irmãos, para que sejamos cada vez mais artífices da paz.
Lembra-te, ó Pai, de todos os que lutam, sofrem, morrem pela construção de um mundo mais fraterno. Que para os homens de todas as raças e de todas as línguas venha o Teu reino de justiça, de paz e de amor.

Muito obrigado, meu bom Deus e Pai. Derrama sobre mim as tuas graças e bênçãos para que a minha vida seja uma vida de luz, de paz, de amor, de harmonia.
Tu és fiel Senhor e a Ti entrego a minha vida.

Que Deus te abençoe e faça feliz, meu irmão deste mês de Fevereiro.

P. Albano Nogueira

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ORAR = REZAR


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Rezar é muito mais escutar a Deus do que falar.
Nós quase sempre fazemos o contrário: falamos e queremos que Deus nos escute e nos escute obedecendo ao que Lhe pedimos.
Claro que orar também é falar com Deus. Ter presente que Deus se relaciona comigo e que eu tenho todas as condições de O entender e de falar com Ele.
Neste relacionamento com Deus eu sou criatura d’ Ele e Ele é o Criador. A presença de Deus na minha vida é necessária para eu me entender como pessoa, gostar da minha vida e estar bem comigo mesmo. E Deus sempre se antecipa a nós, toma sempre a iniciativa.
Quando eu tenho vontade de fazer o bem, isso já é uma reacção à iniciativa de Deus. Quando começo a olhar a realidade desta forma, vejo em tudo momento de orar e agradecer a Deus.
Não existem escolas ou mestrados em oração.
A arte de dialogar e amar a Deus sobre todas as coisas é um caminho que se faz ao longo de toda a vida, com altos e baixos. A oração é uma actividade às vezes fácil e às vezes difícil ao mesmo tempo.
Orar é um exercício que exige treino, hábito, persistência, como quem treina uma actividade desportiva.
Levar a sério o exercício de rezar, não apenas de vez em quando, quando se sente bem, ou se tem necessidade, mas sempre. Jesus disse: “Rezai sem cessar para não caírdes em tentação” (Mt 26,41). S. Paulo repete as mesmas palavras do Mestre: “Orai sem cessar” (1Ts 5,17).
Orar, para muitos, é difícil porque é necessário conciliar a rotina diária com a necessidade de se aprofundar na oração. Mas necessitamos encontrar, durante o nosso dia, tempo para as coisas importantes. Se orar é importante, e eu penso que é, então antes do trabalho tenho que reservar um momento do meu dia, e em todos os dias, para a oração.
Quando eu tenho um momento de oração, ele vai perpassando toda a minha vida. Falo a partir de minha experiência pessoal: temos que ter um momento para oração, em que nos sirvamos de uma leitura espiritual, do terço, da Palavra de Deus, da Eucaristia.
Não basta ter momentos de oração. Importante é ter vida de oração para orientar toda a vida segundo a vontade de Deus. S. Paulo diz: “Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra actividade, fazei tudo para a maior glória de Deus.
A oração é um caminho da pessoa para Deus e de Deus para nós.
A oração não é uma meta, mas um caminho para se chegar a Deus.
A oração devia ser uma necessidade e não uma obrigação. Necessária para conhecermos melhor a Deus e para conhecermos melhor a nossa identidade: quem sou eu?

PURIFICAR A ORAÇÃO
Não somos deuses, mas sim criaturas de Deus. Às vezes queremos colocar Deus a nosso serviço. O papel da oração é colocar-nos ao serviço de Deus. Rezar para ganhar favores e privilégios é uma oração pobre, algo interesseira, centrada em nós.
A oração tem de estar centrada em Deus para O adorar, louvar, agradecer, bendizer, pedir perdão e também pedir coisas. Se só pedimos coisas a Deus estamos centrados em nós…
Oração implica SILÊNCIO. Silêncio interior e silêncio exterior. FECHAR OS OLHOS.
No silêncio poderemos ouvir a Deus e poderemos ouvir a nós mesmos. Colocar-se na presença de Deus em paz interior, sem as preocupações do dia-a-dia e sem aqueles sentimentos de raiva.
Rezar é muito mais escutar Deus do que falar e isso só é possível pelo silêncio.
Que Deus te abençoe a ti que rezas e a ti que não rezas.


Padre Albano Nogueira