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domingo, 15 de fevereiro de 2009

O DOADOR E O DOM


Consulte o meu outro blog:

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albanosousanogueira@sapo.pt


Estas duas palavras são o ponto de partida para compreendermos cada vez melhor o mistério de Deus e a nossa relação com Ele como criaturas e seus filhos adoptivos.
Deus é o DOADOR e o que Ele dá é o DOM (dons).
O mais importante é o Doador, não é o dom. O mais importante na nossa relação com Deus é Ele mesmo como Doador, como Autor, como Nascente de tudo.
Deus como Criador, como Vida, como Amor, como Pai, como Mãe, como amigo…
Claro que o “dom” é importante, aquilo que Deus nos dá é muito importante, porque precisamos muito dos dons de Deus, mas não podemos valorizar o Doador pelo que dá ou não, pelo dom, sobretudo pelos dons materiais.
Veja-se um exemplo: uma criança recebe, por vezes, um presente, um dom, uma graça e nem sempre agradece a quem lho deu. Apenas ligou ao dom, ao presente e não ao doador. Dá valor a quem lhe der coisas e não entende que o valor da outra pessoa não está no dom, no presente, mas nele mesmo como doador, mesmo que não haja dom, que não haja presente.
Outras vezes são os pais que tentam compensar os filhos com presentes pela sua ausência. Eles próprios estão a dar a entender que os presentes que dão aos filhos são mais importantes que a sua presença, que é o maior e melhor presença.
Agora vamos passar a questão da nossa relação com Deus.
A pessoa que ama a Deus e acredite n’Ele gosta de pedir presentes, graças, ajuda e isso é bom; mas temos de perceber que nem sempre Deus responde como nós queremos, nem sempre nos dá o dom, o presente, mas Deus será sempre o Doador como um Dom, um presente.
Há gente que pede ajuda a Deus, a cura, uma graça e faz bem porque é sinal de fé, de confiança, mas nunca esqueça que mesmo que não receba o que pediu e do jeito que pediu, Deus continua a ser importante, porque é o Doador de todos os dons, presentes e graças.
Não podemos avaliar a nossa relação com Deus só no aspecto daquilo que recebemos como dom, porque isso é viver centrados em nós, no que podemos receber de Deus e esquecemos de agradecer o muito que já recebemos desse mesmo Deus amoroso.
O dom, o presente é um “sinal”, mas o mais importante é a realidade.
Quando Jesus fazia uma cura, um milagre, pedia às pessoas para não espalharem esse acontecimento, porque sabia perfeitamente que iriam dar muito valor ao dom (a graça recebida) e esquecer o Doador. Quando assim é, corre-se o risco de só se dar valor ao Doador enquanto dá dons, presentes; e quando não dá, já não interessa. Quando Jesus foi manietado, preso, julgado pelas autoridades religiosas e civis, já não estava em posição para dar “dons” (fazer curas e milagres), já não teve as pessoas do lado d’Ele que pediram a libertação de um criminoso (Barrabás) e pediram a condenação do justo e inocente.
Isto revela como temos de purificar a nossa imagem de Deus cujo valor não depende DO QUE NOS DÁ (OS DONS, OS PRESENTES, AS GRAÇAS, AS CURAS), MAS DO QUE Ele É: Criador, Vida, Amor, Relação, Salvação.
A nossa atitude tem de ser a de constante adoração, louvor, acção de graças por tudo o que Deus é e por tudo o que já fez para nos salvar e dar sentido à nossa vida e à nossa morte.


P. Albano Nogueira

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